Já pensou no design como uma tecnologia dissidente? É nessa perspectiva que surge o Atlas of Queer Anatomy, um projeto interdisciplinar de design, arte e medicina que propõe uma revisão crítica dos manuais tradicionais de anatomia humana.
Criado através de uma colaboração entre o artista e designer taiwanês Kuang-Yi Ku e o especialista em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) holandês Henry de Vries, o projeto desafia a visão normativa, binária e higienista que domina o ensino médico convencional. Em vez de buscar a “normalidade”, o Atlas of Queer Anatomy visualiza corpos marginalizados e fenômenos biológicos que a medicina tradicional tende a estigmatizar ou ignorar.
O atlas explora onde o corpo se funde com o externo, seja através de odores corporais ou da interação com máquinas, como brinquedos sexuais (sex toys), questionando a definição de “natureza”. Os criadores uniram seus conhecimentos e habilidades para desafiar o patriarcado médico, a heteronormatividade e a dominância ocidental branca no ensino de anatomia, construindo um sistema anatômico ambíguo, incerto e em constante transformação.
Com o projeto, eles oferecem uma reflexão irônica sobre o clássico livro de anatomia “Atlas de Anatomia Humana”, ainda amplamente utilizado no mundo, ilustrado pelo cirurgião e ilustrador médico Frank H. Netter e publicado pela primeira vez em 1957. Além disso, a anatomia clássica muitas vezes ignora completamente a dependência simbiótica extrema do não-humano. Afinal, onde termina nosso corpo e onde começa a flora de bactérias que vivem dentro, sobre e com nossos corpos? Não é um limite binário; é um espectro, segundo De Vries.
Parte do projeto inclui performances e oficinas participativas, chamadas de “Aulas de Anatomia Queer”, nas quais jovens médicos e criativos, bem como o público em geral, são incentivados a desenhar e criar colagens anatômicas queer, que são posteriormente incorporadas ao atlas e ao site.
CONHEÇA
Acesse o site https://www.atlasofqueeranatomy.com/ e visualize como as práticas de design e os estudos queer podem dialogar para hackear normatividades.