O Digital Transgender Archive (DTA) é um projeto internacional de humanidades digitais que funciona como um portal de acesso centralizado para a história da comunidade trans. Idealizado e dirigido pelo Dr. K.J. Rawson, o arquivo nasceu da necessidade de superar as barreiras de pesquisa causadas pelo apagamento histórico e pela catalogação inadequada de materiais sobre dissidência de gênero. Atualmente sediado na Northeastern University, em Boston (EUA), o projeto consolidou-se como uma das iniciativas mais relevantes para a preservação da memória global de pessoas transgênero e não binárias.
Diferente de um museu ou biblioteca tradicional, o DTA opera sob um modelo pós-custodial, o que significa que ele não detém a posse física da maioria dos documentos. Em vez disso, o projeto atua como um agregador digital que colabora com mais de 70 instituições parceiras ao redor do mundo, incluindo universidades e coletivos ativistas. Essa rede permite que materiais que antes estavam dispersos em acervos privados ou inacessíveis sejam digitalizados e disponibilizados gratuitamente para pesquisadores e para a própria comunidade.
O acervo foca em materiais produzidos antes do ano 2000, abrangendo desde fotografias amadoras e fanzines até registros médicos e jurídicos. O grande diferencial do projeto está em sua sensibilidade terminológica: ele lida com o fato de que, historicamente, muitas pessoas que desafiaram as normas de gênero não utilizavam o termo “transgênero” para se descrever. Assim, o arquivo desenvolve estratégias de busca que respeitam a complexidade dessas identidades ao longo do tempo, conectando passado e presente de forma ética.
Portanto, o DTA assume uma missão política clara de afirmação e justiça social, priorizando a inclusão de narrativas de pessoas trans negras, indígenas e de outras populações marginalizadas. Ao democratizar o acesso a essa história, o projeto não apenas documenta existências, mas atua como um ponto de resistência cultural. Ele oferece às novas gerações a possibilidade de se reconhecerem em uma linhagem histórica vasta e diversa, transformando o silenciamento do passado em um campo fértil para a produção de novos conhecimentos e identidades.
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