Open Tree of Life

Bruna Keese

O projeto Open Tree of Life reúne em uma gigante árvore da vida dados evolutivos de milhões de espécies. Através de uma plataforma abrangente, dinâmica e disponível digitalmente, o projeto sintetiza árvores filogenéticas publicadas juntamente com seus dados taxonômicos. Iniciado em 2013, o Open Tree of Life é um esforço colaborativo entre 11 pesquisadores principais de 10 instituições diferentes. 

A grande contribuição do projeto, realizado há mais de 150 anos do momento em que Darwin rascunhava árvores evolutivas de espécies em seu caderno de anotações e publicava seu A Origem das Espécies, está justamente na possibilidade de síntese de milhares de árvores que descrevem a história evolutiva de animais, plantas e microrganismos. Cientistas usam sequências genéticas e dados morfológicos para construir diferentes combinações possíveis na evolução das espécies. O estudo que culminou no projeto Open Tree of Life foi o primeiro, no entanto, a aplicar um processo automatizado para reunir os dados dessas árvores. 

Os programas computacionais desenvolvidos para o projeto encontram as possibilidades de relações mais prováveis entre as espécies, com a capacidade de analisar milhares delas de uma só vez. Embora a árvore agrupe as 2.3 milhões de espécies conhecidas, apenas 5% delas foram detalhadas geneticamente, fazendo com que as relações da árvore passem por constantes mudanças conforme novas descobertas sejam feitas.

É interessante observar como as espécies mais conhecidas, como os animais e as plantas, representam apenas uma parcela bem pequena da árvore, deixando claro que a maior diversidade do nosso planeta é microbiana. Nesse sentido, muitos dos desafios encontrados para realizar a síntese e visualização da grande árvore da vida, diz respeito justamente à forma como a genética é transmitida nos micróbios, que através de transferências que não envolvem descendentes podem fazer troncos muito distantes em termos evolutivos se aproximarem.  

Todos os dados podem ser baixados e é também possível contribuir enviando árvores filogenéticas através de uma plataforma de curadoria específica. Além disso, é possível navegar pela grande árvore, seus milhares de galhos e nós e adicionar comentários sobre as relações visualizadas. A intenção dos pesquisadores é facilitar ao máximo a atualização dos dados e aumentar cada vez mais o número de espécies na árvore, uma vez que a cada ano cientistas descrevem cerca de 17.000 novas espécies. Através da análise dos dados, o projeto aponta lacunas nas amostras e nomenclaturas da biodiversidade bem como ausência de digitalização de muitas filogenias já publicadas, dificultando sua incorporação na árvore síntese.

Conheça

Mais informações e tutoriais:
opentreeoflife.org

Referências: 

C.E. Hinchliff, S.A. Smith, J.F. Allman, J.G. Burleigh, R. Chaudhary, L.M. Coghill, K.A. Crandall, J. Deng, B.T. Drew, R. Gazis, K. Gude, D.S. Hibbett, L.A. Katz, H.D. Laughinghouse, E.J. McTavish, P.E. Midford, C.L. Owen, R.H. Ree, J.A. Rees, D.E. Soltis, T. Williams, & K.A. Cranston, Synthesis of phylogeny and taxonomy into a comprehensive tree of life, Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 112 (41) 12764-12769, https://doi.org/10.1073/pnas.1423041112 (2015).

 OpenTree et al. “Open Tree of Life Synthetic Tree”
https://doi.org/10.5281/zenodo.3937741

https://www.scientificamerican.com/article/all-2-3-million-species-are-mapped-into-a-single-circle-of-life

https://www.nytimes.com/2012/06/05/science/open-tree-of-life-project-draws-in-every-twig-and-leaf.html